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O que é lesão por fricção?

Lesão por Fricção

Lesão por fricção, também conhecida como skin tear, é uma ferida traumática causada por forças mecânicas, como fricção, cisalhamento, trauma, manuseio inadequado ou remoção de adesivos. A lesão pode comprometer diferentes camadas da pele, mas não se estende através do tecido subcutâneo até a fáscia. 

Embora possa ocorrer em diferentes grupos de pacientes, pessoas com pele envelhecida, frágil ou vulnerável apresentam maior risco. Por isso, a prevenção, a avaliação adequada e a escolha de uma abordagem que minimize novos traumas são fundamentais. 

O que causa uma lesão por fricção? 

A lesão por fricção é causada por forças mecânicas que podem ocorrer tanto durante situações de cuidado quanto em atividades do dia a dia, como:

  • Fricção e cisalhamento; 
  • Traumas e impactos;
  • Quedas;
  • Transferência ou reposicionamento inadequado do paciente;
  • Contato com equipamentos;
  • Remoção de adesivos ou coberturas;
  • Atividades cotidianas em pessoas com pele vulnerável.

É importante destacar que os profissionais geralmente subestimam a ocorrência e a gravidade das lesões por fricção, pois muitas vezes deixam de notificá-las ou as classificam incorretamente.

Quem tem maior risco de desenvolver uma lesão por fricção? 

Embora as lesões por fricção sejam frequentemente associadas ao envelhecimento, elas podem ocorrer em diferentes faixas etárias. O risco é maior quando existem fatores que comprometem a integridade da pele, aumentam a vulnerabilidade aos traumas mecânicos ou dificultam a mobilidade e o cuidado cotidiano. 

Ou seja, pessoas com pele envelhecida ou frágil estão entre os grupos mais vulneráveis, mas a avaliação clínica deve considerar também as condições gerais de saúde, mobilidade, estado nutricional, histórico de lesões e contexto de cuidado. 

Quais são os fatores de risco da lesão por fricção?

Fator de riscoComo pode estar relacionado ao risco
Pele envelhecida ou frágil Alterações relacionadas ao envelhecimento podem reduzir a resistência da pele às forças mecânicas e aumentar sua vulnerabilidade a traumas 
Mobilidade reduzida ou dependência para atividades diárias Pode aumentar a necessidade de transferências, reposicionamentos e auxílio de outras pessoas, situações em que podem ocorrer traumas mecânicos. 
Histórico de quedas ou alterações de mobilidade Quedas e limitações de mobilidade podem aumentar a exposição a traumas mecânicos. 
Pele seca A pele seca está associada a maior vulnerabilidade e é reconhecida como fator de risco para lesões por fricção. 
Doenças crônicas ou condições clínicas que aumentam a fragilidade Doenças crônicas ou críticas podem fazer parte do conjunto de fatores considerados na avaliação individual do risco. 
Alterações cognitivas, sensoriais ou visuais Podem dificultar a percepção de riscos, a comunicação de desconfortos e a realização independente de atividades, contribuindo para maior vulnerabilidade. 
Nutrição e hidratação inadequadas O estado nutricional e a hidratação são aspectos importantes para a manutenção da integridade da pele e devem ser considerados na avaliação do risco. 
Polifarmácia e determinados medicamentos O uso de múltiplos medicamentos e algumas terapias farmacológicas estão entre os fatores que devem ser considerados na avaliação individual. 

Como prevenir a lesão por fricção? 

A prevenção da lesão por fricção envolve mais do que proteger a pele contra impactos. É preciso reduzir os fatores que podem causar trauma mecânico, preservar a integridade da pele e adotar cuidados adequados durante a higiene, a mobilização, as transferências e o uso de adesivos, coberturas e equipamentos.

É importante lembrar que os profissionais devem adaptar as medidas às condições de saúde, mobilidade e vulnerabilidade da pele de cada pessoa.

Cuidados com a pele para evitar lesões por fricção

  • Manter a pele adequadamente hidratada;
  • Utilizar produtos de higiene suaves e adequados para pele vulnerável;
  • Evitar fricção durante o banho e a secagem;
  • Secar a pele delicadamente, sem esfregar;
  • Proteger áreas mais expostas a traumas.

Manuseio e mobilidade para evitar lesões por fricção

  • Utilizar técnicas adequadas de transferência e reposicionamento;
  • Evitar puxar ou segurar a pessoa pelas extremidades;
  • Avaliar equipamentos que entram em contato com a pele;
  • Manter o ambiente seguro para reduzir o risco de quedas e impactos;
  • Utilizar proteção quando indicada.

Adesivos e coberturas para evitar lesões por fricção 

  • Evitar adesivos agressivos em pele vulnerável;
  • Considerar produtos com menor potencial traumático;
  • Utilizar removedores de adesivo quando indicados;
  • Retirar coberturas lentamente, sustentando a pele.

Como avaliar e classificar uma lesão por fricção? 

A avaliação de uma lesão por fricção deve considerar tanto as características da ferida quanto as condições gerais da pessoa. De acordo com a ISTAP, a avaliação inicial deve incluir: 

  • Localização anatômica da lesão;
  • Duração da lesão;
  • Dimensões, incluindo comprimento, largura e profundidade;
  • Extensão do dano tecidual, considerando as camadas da pele envolvidas;
  • Características do leito da ferida e proporção de tecido viável e não viável;
  • Tipo e quantidade de exsudato;
  • Presença de sangramento ou hematoma;
  • Integridade da pele ao redor da lesão;
  • Sinais e sintomas de infecção;
  • Tom da pele;
  • Dor e outros sintomas, como coceira ou ardência.

Importante: também devem ser considerados fatores relacionados à saúde, mobilidade, cognição, nutrição, hidratação, medicamentos e histórico de lesões por fricção. 

Como a lesão por fricção é classificada? 

Após a avaliação, os profissionais podem classificar a lesão de acordo com o Sistema de Classificação ISTAP, desenvolvido para padronizar a identificação e a documentação das lesões por fricção.

A classificação considera principalmente a presença e a extensão da perda do retalho cutâneo. Veja: 

ClassificaçãoCaracterística
Tipo 1 — sem perda de pele Não há perda de pele. O retalho cutâneo pode ser reposicionado para cobrir o leito da ferida. 
Tipo 2 — perda parcial do retalho Há perda parcial do retalho cutâneo, que não pode ser reposicionado para cobrir completamente o leito da ferida. 
Tipo 3 — perda total do retalho Há perda total do retalho cutâneo, deixando o leito da ferida completamente exposto. 

É importante destacar que a profundidade também deve ser avaliada, mas ela não substitui a classificação ISTAP. A atualização de 2025 incorporou a profundidade à definição e à avaliação da gravidade das lesões por fricção. Sendo assim, uma lesão que ultrapasse o tecido subcutâneo não deve ser classificada como skin tear, devendo ser descrita de acordo com sua causa ou com outro sistema de classificação apropriado. 

Como tratar uma lesão por fricção? 

O tratamento da lesão por fricção deve considerar as características da ferida e as condições clínicas de cada pessoa. Por isso, de modo geral, o cuidado deve:

  • Controlar o sangramento;
  • Limpar a lesão adequadamente;
  • Preservar o retalho cutâneo viável, quando presente;
  • Reposicionar ou reaproximar o retalho sem tensionar a pele;
  • Classificar, medir e documentar a lesão;
  • Tratar ou controlar a causa do trauma;
  • Manter um ambiente adequado à cicatrização;
  • Controlar o exsudato;
  • Proteger a pele ao redor da ferida;
  • Evitar novos traumas;
  • Controlar a dor;
  • Monitorar a evolução da lesão e possíveis sinais de infecção.

Qual curativo é indicado para lesão por fricção? 

Não existe um único curativo indicado para todas as lesões por fricção. Uma vez que a escolha deve considerar as características da ferida, o volume de exsudato, a condição da pele ao redor e as necessidades de cada pessoa. Sendo assim, é importante priorizar soluções que protejam a ferida e minimizem o trauma durante as trocas.

Mepitel® One: proteção para pele e tecidos frágeis 

O Mepitel® One, da Mölnlycke®, é uma camada de contato com a ferida de silicone suave, indicada para diferentes tipos de feridas, incluindo lesões por fricção.

Sua estrutura permite a passagem do exsudato para uma cobertura secundária absorvente, enquanto a Tecnologia Safetac® foi desenvolvida para minimizar dor e trauma durante a remoção.

O Mepitel® One e outras soluções para o cuidado de feridas estão disponíveis no catálogo da DCruz Saúde. Acesse agora mesmo ou fale com nossos especialistas para saber mais! 

Fontes:

https://woundsinternational.com/wp-content/uploads/2025/05/ISTAP25_CD_Skin-tears_WINT_web.pdf

https://www.skintears.org

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25040325

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7950130

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12610911

https://www.scielo.br/j/tce/a/SKTMP5rsFNxw6mc87BwpkRB/?format=pdf&lang=pt

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